sábado, 3 de março de 2012

Tudo ao mesmo tempo!


Aqui estou... dentro desse carro forte com esse monte de gente que não conheço! Já estamos chegando na casa do Adolfo, aquela tal de Nádia está vindo logo atrás, fez um monte de gracinha, mas no fim das contas resolveu vir, aposto que foi porque o Lucas disse que ia no carro com ela... tá toda “se querendo” pra ele ¬¬”  Às vezes eu queria ver uma dessas criaturas descontroladas dando um bandão nela, mas ao mesmo tempo acho que ela é necessária, fazer o que né? Tudo pela sobrevivência!
Chegamos! Esse Adolfo é louco, quando ele disse “ ir na minha casa”, imaginei que fosse uma casa... não um prédio cheio de gente de frente pra exposição! Nessas horas que devo agradecer por não estarmos em julho e estarmos na virada do ano, onde um monte de gente foi pra Copacabana! Agradeço a Deus por não estar lá agora!
Pronto! A tal da Nádia se sentindo a heroína de um filme de ação começou a palestrar... ela é tão baixa que até pro Adolfo ela tá dando mole! Será que ela não se toca que o cara é casado e ama tanto a esposa que tá enfiando até a gente nessa furada por causa dela?! Sinceramente, tem hora que eu não entendo qual é a dessa mulher! 
Cara! Acho que a gente tá perdendo tempo demais aqui fora, dando mole pra essa gente toda descontrolada que tá por aí, achava melhor entrar logo nesse prédio... Na verdade, eu achava melhor mesmo ficar aqui dentro do carro forte, esperando essa gente doida voltar, mas o sem graça do Adolfo disse que não vai deixar a chave comigo, e eu falei sério quando disse que esperaria até eles voltassem... óbvio que esperaria apenas por um dia né...
O Adolfo explicou que no prédio há um apartamento por andar, totalizando três... e no térreo, uma lavanderia... Mas eles não param de debater aqui fora, que saco!
Agora fudeu! Tá vindo alguém, ou algo correndo muito lá debaixo...
Pronto! Estamos dentro e fechamos a porta... Adolfo acendeu a luz... até aqui tudo tranquilo
(...)
Nossa! Já estamos aqui nesse terraço! Nem sei como consegui chegar viva aqui! Agora parando pra pensar em tudo que aconteceu, eu chego a achar que estou ficando louca e que tudo não passou de um delírio! Depois que o Adolfo acendeu a luz algo ficou girando a maçaneta da porta de entrada do prédio, não sei o que era, não sei se era a pessoa que estava correndo, só sei que ela não respondeu quando perguntamos baixinho se ela podia nos entender... o Adrian até passou por baixo da porta um papel que ele pegou na portaria, onde escreveu que se a pessoa pudesse entender que ela desse um sinal... mas ela não deu, enfim, percebemos que a pessoa se afastou e achamos melhor deixar daquele jeito mesmo!
A japa continuava apavorada! Estava colada no Adolfo igual perereca que só solta com trovoada! Lucas e Adrian quebraram um banquinho que tinha na portaria e os pés viraram tipo 04 “estacas” eles perguntaram quem queria, a Joanna ficou meio assim... e como ela demorou muito pensando, sinto muito, mas peguei... Fomos então revistar a lavanderia, pois a porta estava aberta ... precisávamos nos certificar que estávamos em segurança naquele prédio pra não sermos pegos de surpresa... Entramos, estava tudo apagado, quando o Adolfo acendeu a luz toda aquela ideia de não ser pego de surpresa foi por água abaixo... Do meu lado direito tinha um moleque, fisicamente normal, mas tinha aquele olhar sinistro e veio gritando pra cima de mim feito um bicho, fiquei com medo de correr, pois não dava pra ter muita noção, mas achava que a japa estava atrás de mim, fiquei como medo de derrubá-la e acabar tumultuando tudo mais ainda, afinal estávamos em um cubiculo... e mais uma vez, em uma atitude impensada, ou sei lá... pelo instinto de sobrevivência que eu tenho sentido urrar dentro de mim, parti pra cima do moleque com aquele pedaço de madeira e mais uma vez falhei, acertei o seu ombro, mas ele continuou tentando me atacar! Gritei o Adolfo e ele no mesmo instante arrebentou a cabeça do garoto! Uma cena horrível, se não fosse ele, provavelmente eu teria rodado ali... E praticamente ao mesmo tempo o Adrian e o Lucas encurralaram uma mulher que estava no outro canto do cômodo, só que essa estava lenta, como o guardinha do condomínio estava, e porraram a cabeça dela, acho que esse lance de acertar a cabeça, como assistimos nos filmes, é realmente a única coisa que funciona pra matar essas coisas...
Nesse mesmo instante o  Leanderson e a Joanna que estavam do lado de fora entraram na lavanderia pra ver o que tinha acontecido, acho que me ouviram gritar! Estávamos todos lá ofegantes, tentando ficar mais calmos, quando de repente o meu rosto começou a formigar! Fiquei apavorada! Pensei em não contar pra ninguém, mas eu não sabia o que fazer e acabei falando... Ninguém sabia o que fazer! Pensei em lavar, mas a lavanderia do prédio era tão bem estruturada que não tinha nem um tanque, nem uma torneira.... a galera enchia a máquina de lavar no balde e a água dá máquina de lavar estava com uma aparência muito esquisita! Morrendo de nervoso, empurrei o corpo daquele garoto no chão pro lado e abri o armário pegando um frasco de desinfetante que tinha lá e comecei a passar do meu rosto... meus olhos começaram a arder e meu rosto também... mas foi a única coisa em que consegui pensar na hora!
Bom, pelo menos ali a área estava limpa...
Resolvemos subir. Havíamos combinado que se as portas dos apartamentos estivessem trancadas deixaríamos assim... e o Lucas pegou umas chaves que estavam na portaria, caso as portas estivessem abertas tentaríamos essas chaves para ver se elas trancavam... ao chegarmos no primeiro apartamento, como já era de se esperar nessa maré de azar em que me encontro... a porta estava ABERTA, mas não podia parar por aí, nenhuma das chaves trancavam a maldita porta! Então decidimos que entraríamos para verificar... entramos em uma sala bem simples... e os meninos foram na frente pra verificar o local... fechei o trinco que havia por dentro na porta...  de repente o Lucas foi tentar acender a luz de um dos quartos do apartamento e alguém agarrou a mão dele, o Adolfo no mesmo instante matou a criatura! Era um senhor que morava naquele apartamento, porém apesar de ter morrido, ele segurou tão forte o braço do Lucas, que este não conseguia soltá-lo sozinho, então o Adrian foi ajudar. Nesse mesmo instante uma senhora (provavelmente a esposa do senhor que estava pendurado no Lucas) veio correndo pra cima do Adrian pra atacá-lo, essa visão está começando a se tornar comum pra mim, e assistindo aquela confusão naquele corredor apertado, com todos eles amontoados ali, eu e Joanna tivemos a mesma ideia, pegamos um abajour que tinha na sala ao mesmo tempo e saímos correndo pra cima da mulher, o que acabou sendo meio desastroso, mas no fim eu desequilibrei, soltei o objeto e a Joanna conseguiu acertar a mulher que caiu no chão e eu no mesmo momento golpeei a cabeça dela só pra me certificar que ela tinha partido mesmo...Que competente que eu sou, só consigo matar essas criaturas, quando elas já estão mortas! AFF!
Mal deu pra respirar quando ouvimos um estrondo na Janela, olhei pro lado era a Nádia, a Tomb Raider havia subido escalando --",  o Adolfo já estava vindo tenso quando eu avisei que era ela...e tudo aconteceu ao mesmo tempo, três “zumbis” aglomeraram-se na porta do apartamento quase abrindo-a e começamos a ouvir um som de violão vindo de uma casa vizinha... corremos até a janela para ver o que estava acontecendo e demos de cara com a seguinte cena: Um maluco, pelado, tocando violão, no alto de um prédio, dezenas ou centenas de zumbis, sei lá, todos lá embaixo olhando como se estivessem famintos... e aquele retardado não parava de tocar! Quando avistamos no meio daquelas coisas, um “zumbi” que parecia diferente, tanto que chamou a atenção de todos nós, era um cara alto, forte, com a camisa aberta, de bermuda, faltando um pedaço da panturrilha... e o pior... ele também nos avistou... olhou para nossa janela e deu um grito assustador! E como se esse grito fosse um comando, muitos dos “zumbis” que estavam lá embaixo começaram a prestar atenção em nós! Foi tão sombrio, haviam rostos ali que me eram familiares, pessoas que talvez eu já tivesse cumprimentado na rua, esbarrado, comprado algo em seu estabelecimento... e agora elas estavam ali, não sendo mais elas... será que dentro daqueles corpos ainda havia um pedaço de alma? Era difícil acreditar que sim...
E para o nosso desespero aumentar , vimos uma coisa inédita, quando um de nós tentou atingir aquele “zumbi” grandão, este teve  a reação de abaixar-se atrás do carro forte para se proteger! Naquele momento minha cabeça deu um nó! Um “zumbi” que pensa? Precisávamos agir rápido, pois haviam três na porta e notávamos que os que estavam lá em baixo começavam a “organizar-se” pra entrarem no prédio, então a Nádia subiu escalando e ia ajudar a japa, Joanna e eu a subirmos pela corda de lençóis que ela havia improvisado... Adolfo, Adrian, Lucas e Leanderson armaram um esquema para matar os “zumbis” que estavam na porta e foram bem sucedidos, feito isto, ouvimos mais um grito daquele “zumbi” assustador e muitas batidas na porta da entrada do prédio... eu e Joanna decidimos que não iriamos mais esperar aquela japa lerda terminar de subir e fomos correndo pelas escadas junto com os outros!
A essa altura do campeonato,  aquele plano de verificar apartamento por apartamento foi por água abaixo, só queríamos chegar no terraço que o Adolfo falou que havia no prédio... mas ele só lembrou de avisar que pra chegar ao terraço tínhamos que passar por dentro do apartamento dele naquela hora... tudo bem né, pelo menos acabaria com essa angústia de saber se a esposa dele estava bem ou não...O Leanderson passou correndo por nós, ele corre demais, disse que fugia muito da polícia, e eu acho que ele falou sério...O Adolfo, acredito que devido a idade, era um pouco mais lento e notei que o Lucas diminuiu o ritmo pra poder acompanhá-lo. Passei por eles, passei direto pelo segundo apartamento e fiquei esperando na saída da escada do apartamento do Adolfo que os outros chegassem, quando eles chegaram a Joanna verificou a porta e o Adolfo passou por ela já chutando a porta pra abri-la, demos de cara com a mulher dele parada em pé na sala, mas ela parecia normal... fez uma expressão de quem estava achando aquilo tudo estranho, Adolfo a chamou pelo nome e ela atendeu com um “oi” abrindo os braços... Adolfo todo feliz correu para abraçá-la, e foi aí que notamos que ela ia morde-lo, Lucas foi rápido, parecia que já esperava por isso e atirou certeiramente na cabeça dela! Adolfo foi ao chão em estado de choque, gritando “não” com sua voz completamente embargada! E mais uma vez ficamos surpresos, pois até então não tínhamos visto essas criaturas agindo como pessoas normais.
Precisávamos ir para o terraço, ouvíamos barulhos cada vez mais próximos, mas o Adolfo ficou ali, imóvel, com os olhos vidrados na esposa... o Lucas chutou a porta que dava para uma varandinha onde tinha uma escada quase caindo as pedaços que levava ao terraço, falei para lucas empurrar a porta lá para baixo, deve ter matado poucos dos que estavam lá embaixo, mas menos deles é sempre bom...
Ajudamos Adolfo a subir, praticamente o arrastamos... ele não tinha reação nenhuma... quando já estávamos todos lá em cima chutei a escada e a mesma ,de tão podre que estava,  despencou rapidamente, achei válido evitar que aquelas coisas tivesse acesso até onde estávamos! Notamos que apenas naquele momento aquela japa infeliz havia conseguido subir, quase virou comida de zumbi...  O cara do violão havia parado de tocar, sabe Deus aonde ele foi parar...
E cá estou eu, quando olho pra frente, tem uma riponga, sentada na beirada do terraço balançando as perninhas e olhando pra baixo como se nada estivesse acontecendo... quem é essa lunática? Será que ela está em si? Ou será que é amiga dos esquisitões lá em baixo? Joguei  um pregador bem de levinho nela pra poder chamar a atenção, ela olhou pra mim e acenou sorrindo, fiz um sinal, perguntando tipo: “O que você tá fazendo aí?” Ela me ignorou e continuou olhando pra baixo... O prédio pro qual temos que atravessar é o que ela está... a Lara Croft atravessou pulando, quase gritando: “Olhem como eu sou fodona!” Eu atravessei por  aquela corda de lençóis que ela havia feito e ligou de um lado a outro e até que me saí bem! A japa, atravessou por essa mesma corda, que tá estava um pouco arriada, sei que não é hora de me preocupar com isso, mas acho que estou um pouco acima do peso... ela quase caiu! E pra completar os acontecimentos bizarros  a riponga olhou pra ela e falou pra ela ficar calma, que ela podia vir... e como se aquilo fosse uma injeção de coragem, a japa terminou a travessia, sentando-se ao lado da menina que ficou confortando-a, bom , se até agora ela não mordeu, acho pelo menos que ela é humana... Adolfo foi convencido por um dos que estavam no grupo a atravessar, pois Suzana precisaria dele, e parece que apenas por isso ele decidiu lutar contra sua dor e atravessar... Nãão! Ele caiu! Ele foi pular e caiu lá embaixo! Eu não posso acreditar nisso!
Sei que nesse curto espaço de tempo já vi muita gente morrer, mas se tinha uma pessoa que não merecia morrer, principalmente dessa forma tão sem noção era ele! Não posso acreditar que isso aconteceu! Olhei para Lucas e pude notar que ele também parecia não acreditar, vi o quanto ele admirava o Adolfo! Bom, o restante do grupo conseguiu atravessar alguns pulando, outros pela corda... Mas agora eu só consigo pensar no Adolfo lá embaixo, tendo sua vida finalizada dessa forma, após de acabar de ver a esposa transformada, morta... e sem querer ser fria, ele está lá em baixo com a chave do carro forte...

domingo, 12 de fevereiro de 2012

O início do caos





Nossa! O que é isso que está acontecendo?
Que merda é essa?!
Olha aonde eu me encontro: Dentro de um carro forte! Com um monte de gente que nunca vi na minha vida, indo atrás da esposa de um deles, que provavelmente não está mais lá... Não sendo quem ela costumava ser pelo menos!
Minha cabeça está confusa!
Hoje era pra ser um dia normal! Era pra ser até, quem sabe, um dia especial!
Virada de ano! Fui convidada pelo Deivid pra comemorar na casa dele, ele havia falado a respeito de um amigo, esse tal de Lucas, que é bonito, mas foi meio hostil comigo! Mas também, nem o culpo diante dessa situação louca! 
Estava tudo correndo bem, eu procurando fazer novas amizades, porque já estava cansada de viver sozinha, o Deivid vinha sendo meu único amigo presente há muito tempo, e mesmo assim, ele tinha a vida dele! Quando de repente começou esse inferno! Tv saindo do ar, os militares invadindo o condomínio, essa russa com cara de puta masoquista que some e aparece toda hora, essas pessoas descontroladas mordendo outras pessoas, alguns que correm parecendo maratonistas, outros muito lerdos, mas todos, sem sombra de dúvidas, completamente irracionais! 
O cara que tá dirigindo o carro forte desconfia que as pessoas estejam possuídas pelo demônio, eu já acho mais fácil isso ter sido merda feita pela mão humana mesmo! Mais cedo ou mais tarde o Homem ia mandar geral pro buraco, criando um vírus ou qualquer coisa assim! Só não imaginava que eles seriam tão bem sucedidos, a ponto de criarem Zumbis de verdade, cópias fiéis aos do cinema!
E EU, euzinha, fiquei de cara com um deles! Nunca passei por uma situação tão difícil, e sempre imaginei que se passasse eu travaria, não teria reação. Mas não! Ao contrário disso, eu parti com uma faca pra cima daquela mulher que estava gritando, com a boca cheia de sangue, completamente fora de si como se eu fosse o Rambo! Aonde eu estava com a cabeça?! E logo aquele careca esquisito que salvou minha vida, mas isso não anula o meu pé atrás com ele!
Bom, que isso me sirva de lição! Pois, provavelmente, daqui pra frente vamos passar por muitas situações como essa. E que nas próximas eu mantenha o equilíbrio, que seja possível que nós não percamos a sanidade diante dessa caos que o mundo virou!
Quem sabe eu acorde em 2012 e veja que isso tudo não passou de um sonho ruim?! 
Mas não...Tudo isso é muito real! Me dei conta disso quando vi aquele senhor, segurança do supermercado, perdendo seu brilho nos olhos e levando junto toda a minha esperança de que isso tudo não passasse de um pesadelo...