Aqui estou... dentro desse carro forte com esse monte de
gente que não conheço! Já estamos chegando na casa do Adolfo, aquela tal de
Nádia está vindo logo atrás, fez um monte de gracinha, mas no fim das contas
resolveu vir, aposto que foi porque o Lucas disse que ia no carro com ela... tá
toda “se querendo” pra ele ¬¬” Às vezes
eu queria ver uma dessas criaturas descontroladas dando um bandão nela, mas ao
mesmo tempo acho que ela é necessária, fazer o que né? Tudo pela sobrevivência!
Chegamos! Esse Adolfo é louco, quando ele disse “ ir na
minha casa”, imaginei que fosse uma casa... não um prédio cheio de gente de
frente pra exposição! Nessas horas que devo agradecer por não estarmos em julho
e estarmos na virada do ano, onde um monte de gente foi pra Copacabana!
Agradeço a Deus por não estar lá agora!
Pronto! A tal da Nádia se sentindo a heroína de um filme de
ação começou a palestrar... ela é tão baixa que até pro Adolfo ela tá dando
mole! Será que ela não se toca que o cara é casado e ama tanto a esposa que tá
enfiando até a gente nessa furada por causa dela?! Sinceramente, tem hora que eu
não entendo qual é a dessa mulher!
Cara! Acho que a gente tá perdendo tempo demais aqui fora,
dando mole pra essa gente toda descontrolada que tá por aí, achava melhor
entrar logo nesse prédio... Na verdade, eu achava melhor mesmo ficar aqui
dentro do carro forte, esperando essa gente doida voltar, mas o sem graça do
Adolfo disse que não vai deixar a chave comigo, e eu falei sério quando disse
que esperaria até eles voltassem... óbvio que esperaria apenas por um dia né...
O Adolfo explicou que no prédio há um apartamento por andar,
totalizando três... e no térreo, uma lavanderia... Mas eles não param de
debater aqui fora, que saco!
Agora fudeu! Tá vindo alguém, ou algo correndo muito lá
debaixo...
Pronto! Estamos dentro e fechamos a porta... Adolfo acendeu
a luz... até aqui tudo tranquilo
(...)
Nossa! Já estamos aqui nesse terraço! Nem sei como consegui
chegar viva aqui! Agora parando pra pensar em tudo que aconteceu, eu chego a
achar que estou ficando louca e que tudo não passou de um delírio! Depois que o
Adolfo acendeu a luz algo ficou girando a maçaneta da porta de entrada do
prédio, não sei o que era, não sei se era a pessoa que estava correndo, só sei
que ela não respondeu quando perguntamos baixinho se ela podia nos entender...
o Adrian até passou por baixo da porta um papel que ele pegou na portaria, onde
escreveu que se a pessoa pudesse entender que ela desse um sinal... mas ela não
deu, enfim, percebemos que a pessoa se afastou e achamos melhor deixar daquele
jeito mesmo!
A japa continuava apavorada! Estava colada no Adolfo igual
perereca que só solta com trovoada! Lucas e Adrian quebraram um banquinho que
tinha na portaria e os pés viraram tipo 04 “estacas” eles perguntaram quem
queria, a Joanna ficou meio assim... e como ela demorou muito pensando, sinto
muito, mas peguei... Fomos então revistar a lavanderia, pois a porta estava
aberta ... precisávamos nos certificar que estávamos em segurança naquele
prédio pra não sermos pegos de surpresa... Entramos, estava tudo apagado,
quando o Adolfo acendeu a luz toda aquela ideia de não ser pego de surpresa foi
por água abaixo... Do meu lado direito tinha um moleque, fisicamente normal,
mas tinha aquele olhar sinistro e veio gritando pra cima de mim feito um bicho,
fiquei com medo de correr, pois não dava pra ter muita noção, mas achava que a
japa estava atrás de mim, fiquei como medo de derrubá-la e acabar tumultuando
tudo mais ainda, afinal estávamos em um cubiculo... e mais uma vez, em uma
atitude impensada, ou sei lá... pelo instinto de sobrevivência que eu tenho
sentido urrar dentro de mim, parti pra cima do moleque com aquele pedaço de
madeira e mais uma vez falhei, acertei o seu ombro, mas ele continuou tentando
me atacar! Gritei o Adolfo e ele no mesmo instante arrebentou a cabeça do
garoto! Uma cena horrível, se não fosse ele, provavelmente eu teria rodado
ali... E praticamente ao mesmo tempo o Adrian e o Lucas encurralaram uma mulher
que estava no outro canto do cômodo, só que essa estava lenta, como o guardinha
do condomínio estava, e porraram a cabeça dela, acho que esse lance de acertar
a cabeça, como assistimos nos filmes, é realmente a única coisa que funciona
pra matar essas coisas...
Nesse mesmo instante o
Leanderson e a Joanna que estavam do lado de fora entraram na lavanderia
pra ver o que tinha acontecido, acho que me ouviram gritar! Estávamos todos lá
ofegantes, tentando ficar mais calmos, quando de repente o meu rosto começou a
formigar! Fiquei apavorada! Pensei em não contar pra ninguém, mas eu não sabia
o que fazer e acabei falando... Ninguém sabia o que fazer! Pensei em lavar, mas
a lavanderia do prédio era tão bem estruturada que não tinha nem um tanque, nem
uma torneira.... a galera enchia a máquina de lavar no balde e a água dá
máquina de lavar estava com uma aparência muito esquisita! Morrendo de nervoso,
empurrei o corpo daquele garoto no chão pro lado e abri o armário pegando um
frasco de desinfetante que tinha lá e comecei a passar do meu rosto... meus
olhos começaram a arder e meu rosto também... mas foi a única coisa em que
consegui pensar na hora!
Bom, pelo menos ali a área estava limpa...
Resolvemos subir. Havíamos combinado que se as portas dos
apartamentos estivessem trancadas deixaríamos assim... e o Lucas pegou umas
chaves que estavam na portaria, caso as portas estivessem abertas tentaríamos
essas chaves para ver se elas trancavam... ao chegarmos no primeiro
apartamento, como já era de se esperar nessa maré de azar em que me encontro...
a porta estava ABERTA, mas não podia parar por aí, nenhuma das chaves trancavam
a maldita porta! Então decidimos que entraríamos para verificar... entramos em
uma sala bem simples... e os meninos foram na frente pra verificar o local...
fechei o trinco que havia por dentro na porta... de repente o Lucas foi tentar acender a luz de
um dos quartos do apartamento e alguém agarrou a mão dele, o Adolfo no mesmo
instante matou a criatura! Era um senhor que morava naquele apartamento, porém
apesar de ter morrido, ele segurou tão forte o braço do Lucas, que este não
conseguia soltá-lo sozinho, então o Adrian foi ajudar. Nesse mesmo instante uma
senhora (provavelmente a esposa do senhor que estava pendurado no Lucas) veio
correndo pra cima do Adrian pra atacá-lo, essa visão está começando a se tornar
comum pra mim, e assistindo aquela confusão naquele corredor apertado, com
todos eles amontoados ali, eu e Joanna tivemos a mesma ideia, pegamos um
abajour que tinha na sala ao mesmo tempo e saímos correndo pra cima da mulher,
o que acabou sendo meio desastroso, mas no fim eu desequilibrei, soltei o objeto
e a Joanna conseguiu acertar a mulher que caiu no chão e eu no mesmo momento
golpeei a cabeça dela só pra me certificar que ela tinha partido mesmo...Que
competente que eu sou, só consigo matar essas criaturas, quando elas já estão
mortas! AFF!
Mal deu pra respirar quando ouvimos um estrondo na Janela,
olhei pro lado era a Nádia, a Tomb Raider havia subido escalando --", o Adolfo já estava vindo tenso quando eu
avisei que era ela...e tudo aconteceu ao mesmo tempo, três “zumbis”
aglomeraram-se na porta do apartamento quase abrindo-a e começamos a ouvir um
som de violão vindo de uma casa vizinha... corremos até a janela para ver o que
estava acontecendo e demos de cara com a seguinte cena: Um maluco, pelado,
tocando violão, no alto de um prédio, dezenas ou centenas de zumbis, sei lá,
todos lá embaixo olhando como se estivessem famintos... e aquele retardado não
parava de tocar! Quando avistamos no meio daquelas coisas, um “zumbi” que
parecia diferente, tanto que chamou a atenção de todos nós, era um cara alto,
forte, com a camisa aberta, de bermuda, faltando um pedaço da panturrilha... e
o pior... ele também nos avistou... olhou para nossa janela e deu um grito
assustador! E como se esse grito fosse um comando, muitos dos “zumbis” que
estavam lá embaixo começaram a prestar atenção em nós! Foi tão sombrio, haviam
rostos ali que me eram familiares, pessoas que talvez eu já tivesse cumprimentado
na rua, esbarrado, comprado algo em seu estabelecimento... e agora elas estavam
ali, não sendo mais elas... será que dentro daqueles corpos ainda havia um
pedaço de alma? Era difícil acreditar que sim...
E para o nosso desespero aumentar , vimos uma coisa inédita,
quando um de nós tentou atingir aquele “zumbi” grandão, este teve a reação de abaixar-se atrás do carro forte
para se proteger! Naquele momento minha cabeça deu um nó! Um “zumbi” que pensa?
Precisávamos agir rápido, pois haviam três na porta e notávamos que os que
estavam lá em baixo começavam a “organizar-se” pra entrarem no prédio, então a
Nádia subiu escalando e ia ajudar a japa, Joanna e eu a subirmos pela corda de
lençóis que ela havia improvisado... Adolfo, Adrian, Lucas e Leanderson armaram
um esquema para matar os “zumbis” que estavam na porta e foram bem sucedidos,
feito isto, ouvimos mais um grito daquele “zumbi” assustador e muitas batidas
na porta da entrada do prédio... eu e Joanna decidimos que não iriamos mais
esperar aquela japa lerda terminar de subir e fomos correndo pelas escadas
junto com os outros!
A essa altura do campeonato, aquele plano de verificar apartamento por
apartamento foi por água abaixo, só queríamos chegar no terraço que o Adolfo
falou que havia no prédio... mas ele só lembrou de avisar que pra chegar ao
terraço tínhamos que passar por dentro do apartamento dele naquela hora... tudo
bem né, pelo menos acabaria com essa angústia de saber se a esposa dele estava
bem ou não...O Leanderson passou correndo por nós, ele corre demais, disse que
fugia muito da polícia, e eu acho que ele falou sério...O Adolfo, acredito que
devido a idade, era um pouco mais lento e notei que o Lucas diminuiu o ritmo
pra poder acompanhá-lo. Passei por eles, passei direto pelo segundo apartamento
e fiquei esperando na saída da escada do apartamento do Adolfo que os outros
chegassem, quando eles chegaram a Joanna verificou a porta e o Adolfo passou
por ela já chutando a porta pra abri-la, demos de cara com a mulher dele parada
em pé na sala, mas ela parecia normal... fez uma expressão de quem estava
achando aquilo tudo estranho, Adolfo a chamou pelo nome e ela atendeu com um “oi”
abrindo os braços... Adolfo todo feliz correu para abraçá-la, e foi aí que notamos
que ela ia morde-lo, Lucas foi rápido, parecia que já esperava por isso e
atirou certeiramente na cabeça dela! Adolfo foi ao chão em estado de choque,
gritando “não” com sua voz completamente embargada! E mais uma vez ficamos
surpresos, pois até então não tínhamos visto essas criaturas agindo como
pessoas normais.
Precisávamos ir para o terraço, ouvíamos barulhos cada vez
mais próximos, mas o Adolfo ficou ali, imóvel, com os olhos vidrados na
esposa... o Lucas chutou a porta que dava para uma varandinha onde tinha uma
escada quase caindo as pedaços que levava ao terraço, falei para lucas empurrar
a porta lá para baixo, deve ter matado poucos dos que estavam lá embaixo, mas
menos deles é sempre bom...
Ajudamos Adolfo a subir, praticamente o arrastamos... ele
não tinha reação nenhuma... quando já estávamos todos lá em cima chutei a
escada e a mesma ,de tão podre que estava, despencou rapidamente, achei válido evitar que
aquelas coisas tivesse acesso até onde estávamos! Notamos que apenas naquele
momento aquela japa infeliz havia conseguido subir, quase virou comida de
zumbi... O cara do violão havia parado
de tocar, sabe Deus aonde ele foi parar...
E cá estou eu, quando olho pra frente, tem uma riponga,
sentada na beirada do terraço balançando as perninhas e olhando pra baixo como
se nada estivesse acontecendo... quem é essa lunática? Será que ela está em si?
Ou será que é amiga dos esquisitões lá em baixo? Joguei um pregador bem de levinho nela pra poder
chamar a atenção, ela olhou pra mim e acenou sorrindo, fiz um sinal,
perguntando tipo: “O que você tá fazendo aí?” Ela me ignorou e continuou
olhando pra baixo... O prédio pro qual temos que atravessar é o que ela está...
a Lara Croft atravessou pulando, quase gritando: “Olhem como eu sou fodona!” Eu
atravessei por aquela corda de lençóis
que ela havia feito e ligou de um lado a outro e até que me saí bem! A japa,
atravessou por essa mesma corda, que tá estava um pouco arriada, sei que não é
hora de me preocupar com isso, mas acho que estou um pouco acima do peso... ela
quase caiu! E pra completar os acontecimentos bizarros a riponga olhou pra ela e falou pra ela ficar
calma, que ela podia vir... e como se aquilo fosse uma injeção de coragem, a
japa terminou a travessia, sentando-se ao lado da menina que ficou
confortando-a, bom , se até agora ela não mordeu, acho pelo menos que ela é
humana... Adolfo foi convencido por um dos que estavam no grupo a atravessar,
pois Suzana precisaria dele, e parece que apenas por isso ele decidiu lutar
contra sua dor e atravessar... Nãão! Ele caiu! Ele foi pular e caiu lá embaixo!
Eu não posso acreditar nisso!
Sei que nesse curto espaço de tempo já vi muita gente
morrer, mas se tinha uma pessoa que não merecia morrer, principalmente dessa
forma tão sem noção era ele! Não posso acreditar que isso aconteceu! Olhei para
Lucas e pude notar que ele também parecia não acreditar, vi o quanto ele
admirava o Adolfo! Bom, o restante do grupo conseguiu atravessar alguns
pulando, outros pela corda... Mas agora eu só consigo pensar no Adolfo lá
embaixo, tendo sua vida finalizada dessa forma, após de acabar de ver a esposa
transformada, morta... e sem querer ser fria, ele está lá em baixo com a chave
do carro forte...